E aí, galera do hóquei! Se você é fã da NHL e, principalmente, do Washington Capitals, deve ter notado que o clima anda um pouco tenso nos últimos dias. O motivo? O início de temporada do nosso querido Capitão, o lendário Alex Ovechkin. Com apenas um gol nos sete primeiros jogos, as redes sociais e os fóruns de discussão estão em polvorosa. Será que a idade chegou para o Grande Oito? Será que a máquina de fazer gols finalmente emperrou? Calma lá, rapaziada! Antes de ligar o modo pânico, respire fundo e venha com a gente entender por que não há necessidade de preocupação. Pelo contrário, é preciso ter paciência e curtir a jornada de um dos maiores de todos os tempos.
Sim, o número de um gol em sete jogos é, sem dúvida, atípico para um jogador do calibre de Ovechkin. Estamos falando de um cara que já liderou a liga em gols nove vezes – um recorde absurdo! Ele nos acostumou a começar a temporada já com o pé no acelerador, balançando as redes com a frequência de um relógio suíço. Mas, como em todo esporte, o hóquei tem seus altos e baixos, e até mesmo as maiores lendas enfrentam fases menos inspiradas. O que precisamos analisar não é apenas o resultado final (o gol), mas todo o processo que leva a ele.
Alex Ovechkin: Um Início de Temporada Atípico (Mas Normal)
Vamos aos fatos: o Capitals, e por consequência, o Alex Ovechkin, não teve o começo de temporada dos sonhos. Um gol em sete partidas é um número que salta aos olhos quando o assunto é o maior artilheiro em atividade e o segundo maior da história da NHL, atrás apenas de Wayne Gretzky. Mas aqui está o ponto crucial: o Capitão ainda está criando chances de gol. Ele está “getting his looks”, como dizem os americanos, ou seja, está se colocando em posições perigosas, finalizando e gerando oportunidades. Ele não está invisível no gelo, nem fugindo do disco. Pelo contrário, sua presença no ataque continua pulsante.
Para quem não está familiarizado com as métricas avançadas do hóquei, “getting his looks” significa que Ovechkin está entre os líderes da liga em finalizações a gol (shots on goal) e em tentativas de arremate (shot attempts). Isso indica que ele está ativamente envolvido na ofensiva, não que sua habilidade de gerar oportunidades tenha desaparecido. O que está acontecendo é uma questão de pontaria e, mais ainda, de azar. A taxa de arremates que se transformam em gol (shooting percentage) de Ovechkin neste início de temporada está ridiculamente baixa, bem abaixo de sua média de carreira. Para contextualizar, um jogador de elite como Ovi geralmente converte entre 12% e 15% de seus arremates. Se ele está finalizando como de costume, mas a porcentagem está baixa, isso geralmente se corrige com o tempo. A bola (ou melhor, o disco) simplesmente não está entrando por capricho do destino, da sorte dos goleiros adversários ou de um poste traiçoeiro.
É importante lembrar que a temporada da NHL é uma maratona de 82 jogos. Sete partidas representam uma fração mínima desse percurso. Muitos jogadores, até mesmo artilheiros consagrados, têm inícios lentos. É comum demorar um pouco para encontrar o ritmo, a química com os novos companheiros de linha ou para se ajustar a pequenas mudanças táticas. Alex Ovechkin tem quase 20 anos de carreira na NHL e já viu de tudo. Ele sabe como lidar com a pressão, como manter a calma e, principalmente, como se reencontrar com o gol. Sua resiliência e sua capacidade de recuperação são tão lendárias quanto seu chute potente.
A Máquina de Gols e a Caça ao Recorde Eterno
Para o público brasileiro que talvez não acompanhe o hóquei com a mesma intensidade, é fundamental entender a dimensão de Alex Ovechkin. Draftado em 2004 pelos Capitals, ele transformou a franquia. Conquistou inúmeros prêmios individuais, incluindo o Calder Trophy (melhor calouro), três Hart Trophies (MVP da liga) e, claro, um recorde de nove Rocket Richard Trophies (artilheiro da temporada). Em 2018, ele finalmente liderou o Capitals à sua primeira e única Stanley Cup, cimentando seu legado como um dos maiores jogadores da história da liga, senão o maior artilheiro de todos os tempos. Atualmente, ele persegue o recorde de 894 gols de Wayne Gretzky, e antes do início desta temporada, estava a pouco mais de 70 gols de distância (com 822 gols, e agora 823). Essa caça ao recorde é o enredo mais fascinante da NHL nos últimos anos.
O estilo de jogo de Ovi é inconfundível. Seu famoso “Ovechkin Spot” no power play, onde ele espera no círculo esquerdo para desferir um one-timer devastador, é aterrorizante para qualquer goleiro. É uma jogada que todos sabem que vai acontecer, mas ninguém consegue parar. Ele não é apenas um sniper; ele é um jogador físico, que se joga nas batalhas nos cantos do gelo, que distribui hits e que é um líder nato. Essa combinação de habilidade pura, força física e paixão pelo jogo é o que o mantém no topo há quase duas décadas.
Seria tolice pensar que, aos 38 anos, o corpo de Ovechkin não sentirá o peso de tantas temporadas. A desaceleração é natural para qualquer atleta, mas Ovi tem desafiado a lógica. Sua dedicação ao treino, sua paixão inabalável pelo hóquei e seu estilo de jogo que depende mais de seu chute potente e posicionamento do que de explosão pura, permitem que ele continue a ser elite em uma idade avançada para o esporte. Muitos outros grandes jogadores já haviam declinado significativamente nesta fase da carreira, mas Ovechkin continua produzindo em alto nível, mesmo com um início de temporada que não reflete seu potencial.
Por Que a Calma é a Melhor Jogada?
A paciência é uma virtude no hóquei, especialmente no início de uma temporada. O sistema de jogo dos Capitals, a química entre as linhas e o timing de cada jogador precisam se encaixar. O power play, uma das maiores armas de Washington e o “escritório” de Ovechkin, também leva tempo para atingir sua fluidez ideal. É um processo. Os Capitals, como equipe, estão criando oportunidades, e Alex Ovechkin está no centro delas.
Os treinadores e os próprios companheiros de equipe não demonstram preocupação. Eles veem o trabalho duro, a dedicação e as chances que ele está gerando. É uma questão de tempo até que o disco comece a entrar. Historicamente, Ovechkin sempre foi um jogador que esquenta ao longo da temporada. Muitas de suas campanhas mais prolíficas incluíram períodos de “seca” que foram rapidamente superados por explosões de gols. Essa não é a primeira vez que ele começa a temporada devagar, e não será a primeira vez que ele se recupera com maestria.
A pressão sobre ele é imensa, não só pela caça ao recorde, mas por ser a cara da franquia. No entanto, ele parece lidar com isso de forma notável. Sua confiança é inabalável e sua ética de trabalho é exemplar. As estatísticas subjacentes nos dizem que tudo está no lugar, menos a sorte. E a sorte, meus amigos, é uma amante caprichosa que tende a equilibrar as coisas com o tempo. A lei das médias é uma força poderosa no esporte.
Então, para a galera que está roendo as unhas e imaginando o pior, o recado é claro: não há motivos para pânico. O Capitão está lá, jogando, finalizando, liderando. É apenas uma questão de tempo para que o puck encontre seu caminho para a rede com a frequência que todos nós conhecemos e amamos. Alex Ovechkin continua sendo uma força imparável da natureza, e sua busca pelo recorde de gols de Gretzky está mais viva do que nunca. Sete jogos não definem uma temporada, muito menos uma carreira lendária. Aproveite o show, porque a máquina de gols vai esquentar, e quando esquentar, será espetacular de se ver. É uma jornada, e cada fase dela faz parte da grandeza. E se tem uma coisa que Ovi nos ensinou, é que nunca devemos duvidar dele.




